BALÃO GÁSTRICO

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    

 

 

O que é o balão intragástrico?

 

O balão intragástrico (BIG) é um recurso clínico de tratamento da obesidade que consiste na colocação de um balão de silicone no estômago por endoscopia que preenche aproximadamente 50% da cavidade gástrica promovendo diminuição do apetite e aumento da saciedade. Quando bem indicado, proporciona uma valiosa oportunidade de reeducação dos hábitos alimentares e melhora da relação do indivíduo com a comida e seus impulsos de fome. É um método de tratamento usado há vários anos que se aprimorou com a melhora da qualidade e segurança dos balões mais modernos.

 

Como é a colocação e a retirada do balão intragástrico?

 

O processo de colocação é feito com o paciente sob sedação (sem necessidade de anestesia) com introdução e preenchimento guiados pela endoscopia e dura em torno de 20 minutos. Embora não seja um procedimento cirúrgico e nem precise de internação, é normalmente realizado em ambiente preparado para este tipo de procedimento. Após a colocação é feito o enchimento do balão com  500 a 800 ml de uma solução salina com contraste e corante. O paciente fica com o balão durante 4 a 6 meses quando é então retirado também por endoscopia e sedação.

 

Quais as vantagens do BIG como método de tratamento da obesidade?

 

As principais vantagens são (1) reversibilidade: o BIG pode ser retirado a qualquer momento no caso de alguma intolerância; (2) baixo risco de complicações e (3) repetibilidade: o BIG pode ser colocado sucessivas vezes, se necessário. Outra vantagem é que por promover emagrecimento sem necessidade do uso de medicamentos moderadores de apetite com ação no sistema nervoso central é uma boa alternativa para pacientes que apresentam intolerância, contraindicações ou ausência de resposta com estes medicamentos. Entretanto, é importante ressaltar que o BIG é um método temporário (6 meses),  que necessita de forte comprometimento por parte do paciente e ainda possui um custo mais elevado que o tratamento medicamentoso.

 

Qual a perda de peso esperada com o balão intragástrico?

 

Embora a perda média fique entre 15 a 20% do peso inicial, esta perda é extremamente variável e depende de vários fatores como peso inicial, adaptação, volume de preenchimento, disposição emocional para mudanças, adesão ao controle clínico e nutricional, grau de atividade física, metabolismo basal, etc. A perda mínima esperada para se considerar que o tratamento foi bem sucedido é de 10% do peso inicial mas há pacientes que perdem mais de 30kg. A motivação e a disciplina para implantar as mudanças são os grandes determinantes deste resultado.

 

Como o balão intragástrico pode ajudar a emagrecer?

 

Sabemos que o estômago, quando vazio, secreta a grelina, um potente estimulante do apetite no cérebro e até o momento não existe uma medicação que inibe a secreção deste hormônio. Assim, a distensão do estômago pelo balão causa diminuição da secreção da grelina (reduzindo o apetite) e aumenta a saciedade pela sua ação mecânica sobre o sistema nervoso autônomo.

 

Para quem está indicado o balão?

 

O balão intragástrico está normalmente indicado para pacientes com obesidade que já tentaram os outros tratamentos clínicos - dieta, atividade física e medicamentos – mas tiveram resposta insatisfatória. É também indicado para aqueles que não toleram medicamentos devido aos efeitos ou não podem usá-los devido a alguma doença ou condição clínica. Apesar de estar indicado para o tratamento da obesidade, estudos mais recentes avaliaram o uso do BIG em pacientes pré-obesos com boa resposta e segurança.

 

Quais são as contraindicações para colocação do balão intragástrico?

 

Antes de se proceder a colocação é importante avaliar cuidadosamente se o paciente não possui contraindicações ao BIG como úlcera péptica, hérnia hiatal significativa, passado de cirurgia gástrica, problemas de coagulação, esofagite grave, uso crônico de antiinflamatórios e alcoolismo. Daí a importância de se realizar exames laboratoriais e uma endoscopia prévia. Pode estar ainda indicada uma avaliação psicológica para se avaliar o grau de comprometimento, compreensão e expectativas por parte do paciente. 

 

Quais os cuidados após a colocação do BIG?

 

A primeira semana é a que requer mais cuidados devido à adaptação do organismo com a presença do balão. Embora o volume do balão não seja muito diferente do volume de uma refeição usual (considerando a comida e bebida) temos que lembrar que no caso da refeição os movimentos do estômago irão promover o seu  esvaziamento o que não ocorre na presença do balão. Por isso, normalmente são prescritos medicamentos para inibir a acidez do estômago bem como as cólicas, náuseas e vômitos que representam uma resposta fisiológica do organismo. Mesmo assim, 80% dos pacientes apresentam algum episódio de vômito nesta fase de adaptação. Além disso, deve se ter um cuidado especial com a dieta, prescrita e acompanhada por uma nutricionista especializada, inicialmente líquida evoluindo para pastosa e normalizando a consistência com o passar dos dias com grande atenção para a mastigação. Bebidas alcoólicas devem ser evitadas nesta fase. O acompanhamento clínico e nutricional – e psicológico quando necessário - é fundamental para que o paciente aproveite ao máximo o benefício proporcionado por este método de tratamento e alcance os resultados desejados.

 

Quais as possíveis complicações com o balão intragástrico?

 

O BIG é considerado hoje um método de baixo risco comparado a outras formas de tratamento da obesidade como medicamentos e cirurgia bariátrica. Embora pouco frequentes, as principais complicações já observadas foram esvaziamento do balão e migração para o intestino (geralmente é eliminado na evacuação mas raramente pode ocorrer obstrução), aparecimento de úlcera gástrica, colonização por fungos, desidratação por vômitos na fase de adaptação. Estas complicações são raras sobretudo quando há uma indicação criteriosa,  uma avaliação laboratorial e endoscópica prévia à colocação, escolha de um endoscopista experiente, um acompanhamento clínico-nutricional constante e principalmente se respeita o tempo de duração de seis meses. As complicações mais observadas nos estudos foram em pacientes que não voltaram para retirada do balão no prazo recomendado, o que denota a importância de uma boa aliança médico-paciente no momento de se indicar este tipo de tratamento. Devido à presença do corante no balão, em caso de esvaziamento do balão, o paciente perceberá uma cor azul na urina ou nas fezes que o alertará para a procura de orientação médica e programação da melhor conduta.

 

Após a retirada do balão poderá haver recuperação do peso perdido?

 

De fato, a colocação de um balão intragástrico pode ter um efeito apenas transitório se não houver um envolvimento do paciente com as mudanças na alimentação, estilo de vida e principalmente da autoestima que poderão ser alcançadas neste tratamento. Por isso, há um grande enfoque no preparo e acompanhamento profissional para que o paciente não se apoie na ilusão de que apenas preencher o estômago com um balão de silicone irá resolver, de forma mágica, seus problemas. Deve-se lembrar que a recuperação de peso pode ocorrer com qualquer modalidade de tratamento da obesidade (até mesmo nas cirurgias bariátricas) se não houver uma participação ativa do paciente neste processo. Assim, o papel fundamental do acompanhamento clínico é manter os cuidados necessários para que, neste período, a pessoa tenha condições de emagrecer, reeducar seus hábitos e ganhar mais saúde para que, após a retirada, o paciente esteja pronto para se beneficiar dos diversos recursos disponíveis para prevenção da recuperação de peso.

 

Como será minha dieta após o balão gástrico?   


A sua dieta nos primeiros dias inicialmente será líquida, depois pastosa e só depois terá consistência normal. O tempo em que cada pessoa permanece em cada fase é variável e deve ser ajustado de acordo com a evolução de cada um. 
Após a adaptação inicial, a dieta de consistência normal será feita de acordo com as suas preferências alimentares individuais e estilo de vida, e isso deverá ser avaliado juntamente com o seu nutricionista em cada consulta. 


Existe uma dieta específica para quem colocou balão? 

Após o período de adaptação que acontece após a colocação do balão, a dieta deverá ser hipocalórica e balanceada de acordo com as suas necessidades específicas. Existe todo um processo de reeducação alimentar, ou seja, aprender a tomar decisões inteligentes e saudáveis sabendo que escolha de bons nutrientes será fundamental para o controle de peso, sensação de saciedade e sucesso do tratamento.



Depois de quanto tempo poderei fazer atividade física?

Orientamos sempre o paciente a não praticar nenhuma atividade durante a fase inicial de adaptação ou terminar a transição entre a fase líquida e pastosa, mas isso pode variar porque cada paciente é diferente. Nas consultas, sua evolução geral será avaliada e se estiver tudo bem você já poderá começar a praticar a atividade física que mais gosta.

 
E o uso de bebidas alcoólicas? 

Bebidas alcoólicas contém calorias em excesso e nenhum nutriente. Além disso, podem causar mal-estar e desidratação mesmo quando consumidas em menor quantidade. É importante pensar que pacientes com balão gástrico estão em processo de reeducação alimentar e aprendendo diariamente a fazer escolhas alimentares mais adequadas.

Vale lembrar que o balão gástrico age como um corpo estranho no nosso organismo e, juntamente com o álcool, uma substância irritante da mucosa gástrica, pode facilitar o aparecimento de gastrite, inflamações, agravar enjôos e, dependendo da gravidade, demandar a retirada precoce do balão. Portanto, bebidas alcoólicas devem ser sempre evitadas enquanto estiver com o balão.



Depois que passou a fase líquida e a pastosa, sinto que consigo comer normalmente. Achei que com o balão iria passar mal com tudo que comesse e isso iria me ajudar a emagrecer. É assim mesmo? 

Essa é a grande questão, e devemos aprender a mudar tanto nossas escolhas quanto nosso comportamento perante a comida. O balão gástrico é um método que contribui muito no controle da obesidade, mas não se pode contar só com ele. Claro que você terá o benefício da saciedade que ele traz, principalmente pelo preenchimento do estômago e pela liberação de hormônios que contribuem para a saciedade, mas você também precisará reeducar seus hábitos e arrumar um tempinho para praticar atividade física.

Como a fase inicial de adaptação passou, o paciente sente-se mais confortável e começa a perceber que consegue comer alimentos que no início causavam mal-estar. Isso é muito natural, até mesmo porque o objetivo do balão não é privá-lo dos alimentos, e sim causar saciedade ingerindo uma menor quantidade. Assim, se houver tolerância, o paciente pode relaxar e começar e incluir doces, alimentos gordurosos, e tudo aquilo que comia antigamente. Mesmo que coma em pequena quantidade, obviamente essas não são boas escolhas por serem altamente calóricos, mesmo se consumidas em menor volume.



Vou ter que fazer acompanhamento nutricional mesmo agora que já estou com o balão? É mesmo necessário?

Quando alguém recebe indicação para colocar o balão é porque tem uma dificuldade maior em relação às outras pessoas em reeducar seus hábitos. Portanto, a ajuda de um profissional especializado irá trazer benefícios no sentido de ensinar a (1) realizar escolhas saudáveis, (2) como se comportar mediante situações onde a oferta alimentar é grande (festas, viagens, etc) e principalmente (3) adequar a dieta para que suas preferências alimentares sejam consideradas e o processo de perda de peso não seja restrito aos mesmos alimentos e escolhas inadequadas de antigamente, entre outros benefícios.



Vou precisar tomar suplementos de vitaminas e minerais?
 

Como o balão gástrico é um método que não compromete a absorção dos nutrientes - como por exemplo na cirurgia bariátrica - a suplementação não faz parte  do protocolo de acompanhamento nutricional. Entretanto, em casos  onde  houver grande perda de peso, vômitos recorrentes e algum sinal clinico ou laboratorial de deficiência vitamínica ou mineral, a suplementação pode ser indicada.